A oportunidade em Office add-ins

Velho Novo Mundo

O mercado de extensões para Office é antigo e não muito desenvolvido. A Microsoft não teve muito sucesso em desenvolver o ecossistema de extensões no passado, quando ele era baseado em tecnologias atreladas ao Windows. Ela precisou reestruturar todo o ferramental devido a uma novidade: Office 365 na Web. Foi a partir do Office 2016 que o novo ecossistema foi lançado, baseado em tecnologias Web necessárias para maior portabilidade.

O que esperar desse mercado antigo passando por reciclagem? Add-ins antigos não possuem uma vantagem significativa porque precisam se adaptar ao novo ferramental, add-ins novos contarão com um público um pouco mais amplo ao incluir Office para Mac e Office para Web. O novo ecossistema também é mais acessível, sem necessidade de familiaridade com .NET e VisualStudio, então é de se esperar uma quantidade maior de parceiros dispostos a investir.

Tamanho de mercado

Mais de 1.2 bilhões de usuários, o que significa uma ordem de grandeza igual ao de número de smartphones Android. Penetração total em grandes empresas. Uma das habilidades mais frequentemente listadas em currículos. Departamentos financeiros e bancos dependem do Excel para sobreviver. Consultorias possuem times dedicados de designers de PowerPoint.

Mais importante que tamanho atual, a tendência ainda é de crescimento. A Microsoft já entendeu que não adianta persistir no Windows, ele deve ser usado para impulsionar o Office 365 como o novo sistema operacional da produtividade. Muitos duvidaram, mas Microsoft Teams tem ganho espaço versus Slack.

Monetização

É provavelmente a maior preocupação para a plataforma. É relativamente incomum que pessoas procurem por extensões e não está provado um case de sucesso que fortaleça o ecossistema. Não está claro o quanto as pessoas estão dispostas a pagar por extensões, ainda mais considerando que agora o principal meio de consumo do Office é também por subscrição em vez de pagamento único pela licença.

Não é mais possível submeter aplicativos pagos, sendo a responsabilidade de cada parceiro oferecer uma experiência para usuários não-pagantes e criar seus próprios modelos de cobrança e gerenciamento de conta. O lado positivo é que a Microsoft não será um agente intermediário no relacionamento com clientes. O lado negativo é que aumenta a carga operacional de monetização e obriga o modelo freemium.

Custo Operacional

Assim como em termos de monetização, é análogo a de um SaaS convencional. A vantagem é que existe uma possibilidade maior de computação client-side, isto é, sem necessidade de se comunicar com um servidor de backend, assumindo que o add-in vai operar sobre dados que estão presentes no Office do usuário. Isso permite um backend mais enxuto e uma política de caching mais agressiva.

Por ser mais parecido com SaaS do que com aplicativo em lojas controladas, também é preciso desenrolar o próprio sistema de pagamentos, gerenciamento de subscrições ativas etc. De qualquer forma, uma plataforma que oferece esses serviços ainda cobra uma comissão menor do que as lojas de aplicativo estabeleceram.

Fuga de talentos

Pessoas de tecnologia não levam o Excel a sério. Há um longo histórico de descontentamento com o SharePoint. De forma geral, todo o ecossistema Microsoft tem um problema de reputação na comunidade de tecnologia. Apesar de iniciativas recentes positivas (e.g. WSL), a maior parte do talento técnico hoje não usa Windows e mais de um terço quer fugir dele.

A escassez de profissionais é, por um lado, um desafio de contratação e escala; é, por outro, uma oportunidade de entrada para times pequenos executarem competitivamente. Entretanto, esse efeito é decrescente: o esforço de desenvolvimento se tornou majoritariamente idêntico a de um SaaS baseado na Web.

Panorama e Possibilidades

A Microsoft é uma empresa de tecnologia compromissada em desenvolver plataformas e, apesar do fracasso das iniciativas passadas relacionadas ao Office, suas últimas decisões parecem ter sido acertadas para revigorar e crescer o ecossistema de extensões para fazer do Office 365 o novo sistema operacional da produtividade - com destaque para o Microsoft Teams no mundo B2B.

Nesse momento (abril de 2021), o ferramental de desenvolvimento de add-ins é maduro o suficiente para uma razoável experiência de desenvolvimento e recente o suficiente para haver pouca competição. A inovação necessária para aproveitar esse ecossistema será encontrar uma aplicação que balanceie sinergia e complementaridade.

Uma extensão precisa ter sinergia com as ferramentas do Office o suficiente para convencer um público desacostumado com extensões a instalar seu aplicativo. Um indicativo com sinergia é o caso de uma extensão que não faz sentido como aplicativo independente porque depende e faz bom uso das capacidades do Office.

Complementaridade é importante para que a sinergia não seja tão grande a ponto de a própria plataforma se tornar seu concorrente e decida implementar nativamente as funcionalidades chave da extensão. Um indicativo de complementaridade é quando essa funcionalidade não faz sentido para o público geral e sim para um nicho fora do interesse principal da Microsoft.

Uma calculadora não possui sinergia o suficiente, nem complementaridade. Uma célula que acompanha o preço de uma ação possui sinergia, mas não é muito complementar. As possbilidades são infinitas, mas isso não significa que as boas oportunidades são fáceis de achar.