Villas Boas

O registro no Nobiliário das Famílias de Portugal por Felgueiras Gaio, especificamente o Tomo XXVIII, páginas 238~239, relata que este é um dos sobrenomes portugueses mais antigos conhecidos pois já nos tempos do Rei Diniz (1279-1325) há documentos com assinaturas neste nome, referentes a João Annes de Villas Boas, senhor da Torre de Airó em Barcelos, Portugal.

No do nobiliário é levantada a possibilidade desse nome ter sido uma corruptela do sobrenome Villabens, na época comum no norte de Portugal. Este nome seria originário de Hugo e Jaques Villabens, que receberam o título do Rei Felipe Augusto da França ao invadir Portugal e na Batalha de Bouvines conseguirem capturar Dom Fernando Conde da Flandres, quarto filho do Rei Dom Sancho I (1185-1211). Especula-se então que os Villas Boas usariam do mesmo brazão que os Villabens, simbolizando a captura de D. Fernando Conde de Flandres:

Armas antigas de q uzavão os Villas boas, de dois homens Armados, e hum Castello no meio, era em memoria do facto q obrarão aquelles dois irmaons, o castello em memoria do Castello em q recolherão ao dito Conde;

Em seguida, o nobiliário afirma que apenas menciona essa possibilidade por completude pois a hipótese mais defendida é que o sobrenome tenha vindo de outros dois irmãos, Domingos e Fernando, que serviram o Rei Dom Sancho II (1223-1248) nas guerras contra Castela.

Domingos e Fernando, vindos de Florença (Toscana), teriam capturado duas vilas na região de Traz os Montes que eram do interesse do Rei Sancho II. O Rei então lhes deu as próprias vilas como recompensas e, supostamente pronunciando “aceitai, que são vilas boas”, estabeleceu o novo apelido dos irmãos. Infelizmente para as boas vilas em questão, Rei Sancho II posteriormente achou necessário as destruir e deu aos irmãos outros terras e realengos em compensação na província de Entre Douro e Minho. Junto ao novo apelido, ganharam então os dois irmãos um brazão comemorativo de suas conquistas:

Armas de q uzarão os primeiros Villas boas q erão hum Castello em memoria do q tomarão junto a Villa, e junto delle dois homens Armados em pé em memoria dos dois Irmaons

Especula-se então que algum descendente destes irmãos que tenha se casado com a filha de Gonçalo Gil de Eiró, senhor da Torre de Airó. Seriam estes os progenitores de João Annes Villas Boas, primeiro de seu nome nos registros, que se tornaria o senhor dessas terras e também dos realengos dos Villas Boas. Não há muitas certezas no relato, inclusive o mesmo termina com uma cautela admirável:

damos principio a este tt.o cuja openião nos parece mais conforme a verdade, isto o q sinto em qt.o não ouver q o contrario me mostre. (O que digo aqui he comua openião e agora vi em hum manoescripto dos S.res desta Casa q M.el Caminha de Villas boas assim o vira, e hum caderno antigo de Armas).

Começa então o registro da genealogia da família a partir de João Annes de Villas Boas, que viveu no tempo do Rei Afonso III (1245-1279) e Rei Diniz (1279-1325). Seu filho Fernão Annes de Villas Boas foi também vassalo do Rei Diniz e provavelmente também de Rei Afonso IV (1325-1357), enquanto seu neto Diogo Fernandez de Villas Boas foi de Dom Pedro I de Portugal, o Cruel (1356-1367).

Em uma reviravolta inesperada, o nobiliário relata que o Rei Pedro I de Portugal confiscou os realengos de Diogo Fernandez de Villas Boas como punição por “demasiada liberdade em que viviam os moradores de suas terras” - mantendo porém suas terras de Airó. Ele retirou-se então para Castela e passou a servir o Rei Dom Pedro I de Castela, o Cruel (1350-1369).

(Sim, os dois eram Rei Pedro I, os dois tinham apelido “o Cruel”, e reinaram ao mesmo tempo. O Pedro I de Portugal era tio do Pedro I de Castela. Eles eram aliados contra o meio-irmão de Pedro I de Castela, Henrique. O meio-irmão por fim venceu e se tornou o Rei Henrique II de Castela.)

Posteriormente o nobiliário ressalva também que outros Villas Bôas já tinham adotado outros brasões de armas:

Diz a Corografia Portugueza Tom 1. fl. 318 q os descendentes de Pedro de Vilas boas q athe hoje não conhecemos, uzão de outras Armas, q são em Campo Verde hum Drago preto volamte, com a cauda levantada, e lingua preta;

Então apesar de uma ou outra fonte declarar que o brasão de Diogo Fernandez é o brasão de toda a família, parece que esse brasão não foi de fato o primeiro e original, tampouco se aplicava a todos os Villas Bôas posteriores. É apenas a parte da genealogia Villas Bôas mais mais bem documentada (são 39 páginas de nobiliário) e por isso parece ter se tornada a principal para aqueles que pesquisam a genealogia da família.

Diogo Fernandez serviu na guerras de Pedro I de Castela contra os Mouros em Granada. Por conquistar o castelo inimigo na tarde de um Domingo de Ramos, ganhou um novo brazão de armas descrito:

Hum escudo esquartellado, o primeiro de vermelho, hum Castello de prata com trez Torres com portas lavradas de preto, sahindo da Torre do meyo um ramo de Palma verde, e ao segundo de Azul hum Drago de prata Volante com rabo retrosido, e asim os contrarios. Timbre meio Drago das Armas voando com hum ramo de Palma na boca

Brasão da família Villas Bôas.png

Ainda há evidências históricas no Solar dos Villas Boas em Airó que concordam com essa descrição, como alguns brasões em pedra que confirmam os símbolos apesar de não trazer as cores.

Escultura do Brasão Villas Bôas.png

Após a morte de Pedro I de Portugal, retorna então Diogo Fernandez a suas terras em Airó com seu novo brazão sob o reinado de Fernando I (1367-1383). Casou e deu continuidade a linguagem dos Villas Boas, seu filho Gonçalo Annes Villas Boas servindo ao Rei Dom João I (1385-1433) e assim por diante.

#TODO inspecionar as rotas da genealogia que levam ao Brasil em http://www.genealogia.villasboas.nom.br/FamVB/1ovb/pafg44.htm#689